sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Direito de Brincar - Guia prático para criar oportunidades lúdicas e efetivar o direito de brincar



#concursocultural Achei aqui no escritório exemplares novinhos sobrando do livro O Direito de Brincar - Guia prático para criar oportunidades lúdicas e efetivar o direito de brincar.

Perfeito para as férias com os filhos ou para professores no dia a dia. Quem quiser ganhar deve comentar no www.instagram.com/maecomfilhos citando algum(a) amigo(a) que faz atividades legais com os filhos ou que precisa de ideias, contando porque o escolheu ta?

A melhor resposta leva um livro para si e outro pro amigo - afinal o que é bom é para compartilhar! #maecomfilhos http://ift.tt/179mEuJ #pequenosleitores (valem respostas enviadas até 30/11)

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Leitura @maecomfilhos: livros sobre galinhas ;-) #pequenosleitores



Bem que me avisaram que a fase da Galinha Pintadinha chegaria. #manu1ano descobriu a Popó e resolvi mostrar outras galinhas para trazer diversidade à fase. Nesta noite vimos A Galinha Ruiva (da Editora Salamandra, um clássico da época da mamãe), quero casa com janela (por Elza Cesar Sallut e Neyd Citrangolo, da Editora Atica, da época dos #2nerds) e Galinda Uma Mãe Muito Especial (por Vanessa Meriqui e Feoe, da editora Giostrinho, livro da própria Manu). Foi divertido e descobri que por conta do Pintinho Amarelinho #aos18meses chama todas de *Galina Mamãe*.

Lembrança da Mari, do Clube da Fraldinha, no meu Facebook sobre a Galinha Ruiva:

"Como vai dona galinha ruiva? Vou de bem para melhor (num positivismo que só ela mesmo tendo que criar vaaarios pintinhos) kkkk... Pois pra ir de melhor para excelente, é bem fácil ganhando-se um presente. Tem razão e adivinhe o que eu achei? Achou e não ganhou... Pois é achei, não ganhei e a mim mesma presenteei."


E a Sammia, do Casando sem grana, relembrou do Pintinho Quiriquiri:

"Eu tenho o Pintinho Quiquiriqui! Meu primeiro prêmio da vida: o de melhor leitora da classe, aos 10 anos"








Você tem outras dicas de livros desta temática? Comente! :)

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Leitura @maecomfilhos: Como Treinar Seu Dragão 2 ;-) #pequenosleitores



#chegouaqui um presente super legal da Saraiva: Como Treinar Seu Dragão 2 em DVD + livro (de Cressida Cowell). #aos12 curte muito a série, já reviu o filme e está colocando a leitura em dia. Os meninos adoram a série que conhecem ainda de antes dos filmes da DreamWorks.

Ler realmente faz bem e adoro quando vejo os meus #pequenosleitores animados como vi hoje.

Super valeu, Saraiva! :)

A história:

Cinco anos após convencer os habitantes de seu vilarejo que os dragões não devem ser combatidos, Soluço (voz de Jay Baruchel) convive com seu dragão Fúria da Noite, e estes animais integraram pacificamente a rotina dos moradores da ilha de Berk. Entre viagens pelos céus e corridas de dragões, Soluço descobre uma caverna secreta, onde centenas de novos dragões vivem. O local é protegido por Valka (voz de Cate Blanchett), mãe de Soluço, que foi afastada do filho quando ele ainda era um bebê. Juntos, eles precisarão proteger o mundo que conhecem do perigoso Drago Bludvist (Djimon Hounson), que deseja controlar todos os dragões existentes.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Participe da elaboração do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB)




O Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) foi instituído em 2006 e criou estratégias de estímulo à leitura, ao letramento e à cultura do livro no Brasil. Ele prevê que os estados e municípios criem seus próprios planos, para que objetivos específicos a realidades locais sejam traçados e alcançados. A cidade de São Paulo está elaborando de seu Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB) e promove debates sobre o tema entre o grupo de trabalho responsável da Secretaria de Educação e as comunidades.

Os bate-papos ocorrem até 10 de novembro em espaços educativos da capital paulista. Confira a agenda dos próximos:

03 de novembro, segunda, às 12h e às 19h
Local: CEU Alto Alegre - Rua Bento Guelfi, s/n, Jardim Laranjeira, São Paulo
Telefone: 2731-1123

04 de novembro, terça, às 14h
Local: CEU São Mateus - Rua Curumatim, 201, Bairro São Mateus, São Paulo
Telefone: 2732-8159 / 2732-8154 / 2732-8139

04 de novembro, terça, às 14h
Local CEU Azul da cor do mar - Avenida Ernesto de Souza Cruz, 2171 - Cidade Antônio Estevão, São Paulo
Telefone: 3397-9000

06 de novembro, quinta, às 12h
Local CEU Jaçanã - Avenida Antônio César Neto, 105, São Paulo
Telefone: 3397-3973

06 de novembro, quinta, às 14h
Local CEU São Rafael - Rua Cinira Polônio, 100, Conjunto Promorar Rio Claro, São Paulo
Telefone: 2752 1001 ou 2752 1006

06 de novembro, quinta, às 18h30
Local CEU Pera Marmelo - Rua Pêra Marmelo, 226, Vila Aurora, São Paulo
Telefone: 3948-3912

10 de novembro, segunda, às 12h
Local CEU Alvarenga - Estrada Do Alvarenga, 3752, Balneário São Francisco, São Paulo
Telefone: 5672 2543 ou 5672 2514



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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Leitura @maecomfilhos de hoje ;-) #pequenosleitores



Releitura da minha infância: "Manu, a menina que sabia ouvir" (Michel Ende). Curiosidade é que escolhi o nome da Minha @manushiraishi sem lembrar deste livro (em homenagem ao avô @nesilnuma) e o fato de meu nome (Samantha) significar "aquela que ouve". :) A vida é linda! (E este livro é ótimo para os maiores, recomendo!) #pequenosleitores #michelende #literaturainfantil via Instagram http://ift.tt/12hv3gn Faça parte da nossa turma! http://ift.tt/17HVqqD Compartilhe suas dicas de leitura: marque suas fotos do Instagram com a hashtag #pequenosleitores e ela será destaque na nossa fanpage :-)

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Releitura da minha infância: "Manu, a menina que sabia ouvir" (Michel Ende). Curiosidade é que escolhi o nome da Minha @manushiraishi sem lembrar deste livro (em homenagem ao avô @nesilnuma) e o fato de meu nome (Samantha) significar "aquela que ouve". :) A vida é linda! (E este livro é ótimo para os maiores, recomendo!) #pequenosleitores #michelende #literaturainfantil via Instagram http://ift.tt/12hv3gn Faça parte da nossa turma! http://ift.tt/17HVqqD Compartilhe suas dicas de leitura: marque suas fotos do Instagram com a hashtag #pequenosleitores e ela será destaque na nossa fanpage :-)

sábado, 11 de outubro de 2014

Leitura @maecomfilhos de hoje ;-) #pequenosleitores



#Repost @revistacrescer: "Para quem estiver em SP neste Dia das Crianças, não perca o Espaço Crescer de Leitura, na Fnac, da Av. paulista. E neste domingo, das 11h às 13h, CRESCER oferecerá uma oficina no local de personalização de capa de livro. Assim, as crianças poderão levar para casa uma recordação customizada da obra que mais gostou. Fofo, não? #espaçoleituracrescer" #diadascrianças #pequenosleitores #maecomfilhos via Instagram http://ift.tt/1syYqok Faça parte da nossa turma! http://ift.tt/17HVqqD Compartilhe suas dicas de leitura: marque suas fotos do Instagram com a hashtag #pequenosleitores e ela será destaque na nossa fanpage :-)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Chegou a Coleção de Livros Itaú 2014! (por @silvia_az)

O programa Itaú Criança da Fundação Itaú Social lançou mais uma vez a campanha Leia para uma criança e já disponibilizou o cadastro para quem quiser receber a Coleção de Livros Itaú de 2014.

Você pode pedir para seus filhos, sobrinhos, afilhados e até para doação. Agora, só não pode pedir o livro e deixá-lo na estante, ok? Porque, além de livros gratuitos, este projeto pretende estimular o hábito da leitura.

E todo mundo sabe que crianças seguem muito mais um exemplo que uma ordem. Por isso, leia para uma criança, para duas, para um monte delas! Sente pertinho, faça vozes engraçadas, encene a história. Tudo isso ajuda a tornar o momento da leitura mais agradável e divertido, claro!

Ah! E antes que me esqueça, estes são os livros escolhidos para a Coleção de Livros Itaú de 2014: Gato pra cá, rato pra lá (de Sylvia Orthof) e Papai! (de Philippe Corentin).




Então, não perca tempo e peça seus livros Itaú através deste endereço eletrônico: www.itau.com.br/crianca

É de graça!



Quem escreveu este post?
Silvia Azevedo, do blog Uma Pitada de Cada Coisa, mãe, jornalista e amante dos livros.

sábado, 27 de setembro de 2014

Indicações de leitura da Família @Blogdati para #pequenosleitores

Que tal aproveitar o final de semana de preguiça e aumentar a biblioteca da família? Espia lá!!! #livros #literaturainfantil #pequenosleitores #blogdati ---------------------- #Repost from @companhiadasletras with @repostapp --- De 27/9 a 12/10, 85 livros da Companhia das Letrinhas e Seguinte estarão com 50% de desconto! Acesse blogdacompanhia.com.br e confira a lista de livros e livrarias participantes. �� via Instagram http://ift.tt/1rAWfAa Faça parte da nossa turma! http://ift.tt/17HVqqD

domingo, 14 de setembro de 2014

Fábula Urbana no @showdavida: "Aí, tio, me dá um livro aê, tá ligado?" (por @samegui)




Um quadro do Fantástico no qual um ator mirim interpretou um menino de rua pedindo um livro para as pessoas que passam reviveu uma história real que virou livro. A "pegadinha" foi baseada no livro Fábula Urbana, do escritor José Rezende Jr, inspirado em um fato real que aconteceu com o próprio autor, quando ele estava em um shopping em Brasília e uma criança pediu que ele lhe comprasse um livro.

O que passaria na sua cabeça se uma criança de rua te pedisse um livro?

Eu, sinceramente, fiquei sem resposta. Mas estou aqui com muitas caraminholas na cabeça!

E enquanto não decido o que faria ou como me sentiria, fui pesquisar o livro, claro!

A sinopse é instigante:

"Fábula urbana" é um álbum ilustrado que apresenta a releitura de uma cena bastante comum nos centros urbanos: a de crianças e jovens pedintes. O preconceito de um “homem de terno” torna-se conflituoso quando o pedido feito pelo menino, em vez de dinheiro, é de um bem cultural inquestionável: “Moço, me paga um livro?” A obra, bastante densa, passa a questionar nossos valores e certezas e os preconceitos da classe média, instigando grande reflexão social, para crianças e jovens de todas as idades.

Gostei porque, vejam que democrático, no site do autor é possível ler (e salvar para seu dispositivo) a crônica:

Fábula Urbana:

- Moço, me dá um livro?
- Não tenho trocado.
A resposta escapuliu assim, num refluxo, como se aquele fosse o pedido mais natural do mundo. "Livro?!", refletiu, um segundo depois, o homem de terno. Teria o menino pedido "livro", em vez de "dinheiro", "trocado", "um real"? Ainda que houvesse o menino pronunciado frase mais coerente - "Moço, me dá um de-comer que eu tô com fome?"- alguma coisa estava fora de ordem. A começar pelo diálogo em si: como haveriam de contracenar neste mesmo shopping personagens tão opostos quanto este, o homem de terno, e aquele outro, o menino pobre que pedia livro, dinheiro, comida ou o quer que fosse? Era, pois, um diálogo inexistente, concluiu o homem de terno.
- Pode ser qualquer livro, moço.
A insistência do menino trouxe o homem de terno de volta à realidade absurda. O homem olhou em volta: nenhum segurança de paletó e gravata à vista; sequer o mais remoto zumbido de um walt-talk. Não que o homem de terno temesse alguma violência por parte daquela triste figura em miniatura. Talvez até temesse, mas em outra situação: estivesse ele parado no sinal vermelho,vidro do carro estupidamente aberto, e o menino, caco de vidro em punho magro, grunhindo com a voz gosmenta de cola de sapateiro, "Aí, tio, me dá um livro aê, tá ligado?" Talvez até temesse, fosse o menino menos menino, não mais o embrião de um perigo futuro, mas o perigo em si, já maduro, aqui e agora. "Não, ainda é cedo para ter medo, pelo menos deste aí... talvez daqui a dois ou três anos", calculou, por alto, o homem de terno, avaliando, com alívio, a altura e o peso do menino.
Na seqüência, o alívio deu lugar à indignação. Era uma questão de cidadania: o homem de terno pagava impostos e dízimos; estacionara o carro na garagem automatizada, guardara o ticket no bolso do paletó azul-marinho, tomara o elevador panorâmico; fizera tudo certo. Tinha, pois, o direito constitucional de não ser, assim, afrontado pela realidade, ainda mais num shopping, fortaleza arquitetada para resistir a qualquer ofensiva da vida real. Realidade, ali, só mesmo a dos reality shows exibidos nas tevês de 29 polegadas das lojas de eletrodomésticos.
- Moço, o livro não precisa nem ter figura. Pode ser do mais baratinho.
De tão pequeno, o menino coube, da cabeça aos pés, num único olhar do homem de terno.O figurino, é certo, não parecia adequado ao personagem "menino pobre clássico", que exigiria: calção surrado, pés descalços, cobertor fedorento jogado nas costas nuas, lata de cola nas mãos. Não. Talvez graças a esse artifício, o de fugir ao figurino-padrão, conseguira o menino pobre burlar a segurança do shopping.
"Negligente segurança", rosnou em pensamento o homem de terno, pois a pobreza do menino, ainda que camuflada sob certo grau de dignidade (era possível que tivesse mãe, o menino, "mas pai ausente ou alcoólatra, na certa"), não resistiria a um olhar mais atento: calça remendada, com a barra desfeita, camiseta de malha puída, enorme, decerto herdada do irmão já morto pela polícia ou pela gangue rival ("Deus, como essa gente tem filhos!"), e o tênis - sim, o tênis, que até parecia de marca ("imitação ou roubado, com toda certeza"), mas imundo e com barbante encardido fazendo o papel de cadarço.
Caso persistisse alguma dúvida quanto ao lugar na pirâmide social ocupado pelo menino, bastaria ao homem de terno conferir a indelével marca registrada de toda e qualquer pobreza infantil: o nariz a escorrer num resfriado eterno e sem remédio.
O menino secou provisoriamente o nariz com o dorso da mão e voltou à ofensiva, desta vez com o olhar silencioso que implorava, reivindicava, cobrava, acompanhado da interjeição incisiva e curta, que ao homem de terno soou quase agressiva.
- Ã?
O homem de terno olhou em volta, em busca do deserto vazio e seguro de todos os shoppings do mundo, que é sempre feito de multidão e sacolas, mas agora, ali, não havia ninguém, nem nada. "Está ficando tarde", pensou o homem, tenso. Os únicos vestígios de presença humana vazavam exatamente da livraria envidraçada, cuja fachada refletia dois seres de dimensões tão diferentes, frente a frente num encontro improvável. O homem entrou, seguido pelo menino. Caminharam quase juntos, mas distantes, até o fundo da livraria.
- Escolhe.
Mal pronunciou, o homem de terno, a palavra desconhecida - "escolhe" - cujo significado o pequeno interlocutor apenas intuía, pôs-se o menino a percorrer as prateleiras entulhadas de livros de todas as cores e tamanhos. O homem observou, divertido, o olhar de assombro do menino, o queixo apontado para o topo da prateleira, a respiração suspensa, a indecisão em cada músculo do corpo
- Moço, como é que escolhe?
O homem de terno olhou o menino, e o viu pela primeira vez em sua sólida fragilidade. Não havia por que temê-lo, não ainda, não esta noite, não aqui. O homem percorreu, então, com olhos e dedos experientes as lombadas dos volumes expostos na prateleira. Puxou um, mais ou menos ao acaso, e estendeu ao menino. Virou as costas e deu alguns passos em direção ao caixa, à espera do agradecimento comovido. Que não veio.
- Moço, lê pra mim?
Sem saber a razão, sem ao menos perguntar a razão, o homem leu. Ou melhor, esquivando-se do trabalho de apanhar os óculos no bolso interno do paletó, folheou meio cego o livro em ordem errática, e valeu-se apenas da memória esquecida, de quando era pequeno, emendando uma história na outra, embaralhando enredos e personagens da infância remota, que, só agora se dava conta, jamais compartilhara com os filhos. Era uma vez um gato de botas perdido na floresta com sua irmã Maria que era bruxa e usava um chapeuzinho vermelho aí chegou o lobo mau perseguindo os três porquinhos montado no tapete mágico quando encontrou a bela adormecida cercada pelos sete anões.
E lia o homem de um fôlego só, entonação a princípio displicente, incapaz de refletir a tensão de personagens engolfados por destinos tão trágicos e fabulosos. Mas tanta atenção prestava o menino, os olhos brilhando, a véspera do sorriso emoldurado pela secreção eterna a escorrer do nariz, que se viu o homem obrigado a administrar exageros, costurar com alguma coerência diálogos mal-ajambrados, e emprestar ao caos que ele próprio criara um arremedo improvisado de ordem, e modular a voz ao sabor de aventuras e desventuras, e conjurar sortilégios, e reconciliar amores impossíveis, e, no fim, já quase sem fôlego, punir os maus e recompensar os bons.
E melhor só não fez, o homem de terno que nunca havia contado história, porque era tarde demais, ou por não suportar o assombro familiar e o sorriso antigo que um dia fôra dele e agora pertencia ao menino. E foi-se o homem até o caixa da livraria, da livraria ao elevador panorâmico, do elevador à garagem automatizada, da garagem à rua, tudo num único movimento, sem olhar para trás. E já guiava o homem o automóvel veloz pelo trânsito lento, a boa ação aos poucos embotada pela culpa, a culpa que num instante era semente e no outro floresta centenária, não a culpa pela posse de tantos livros, ternos e automóveis, não a culpa pelo medo inicial e a intolerância de sempre, mas a culpa por ter esquecido de dizer ao menino, ainda que ele próprio não acreditasse, dizer ao menino no final "...e foram todos felizes para sempre", porque é assim que terminam todas as histórias, ou era assim que deveriam terminar todas as histórias.
E foi ruminando o amargor da culpa que o homem de terno parou no sinal vermelho, e foi ruminando o amargor da culpa que percebeu tarde demais o vidro do carro estupidamente aberto, no sinal fechado, àquela hora da noite vazia. E foi então que o homem de terno, grudado ao volante, avistou o vulto saindo dalgum beco escuro, o vulto que parecia o mesmo menino, mas de alguma forma outro, menos menino, mais forte e ameaçador, o tórax exageradamente inflado sob a camiseta puída ou antes era a arma oculta sob a camiseta puída, era o menino, e o homem vomitou a culpa e engoliu o medo, e trêmulo, incapaz do gesto salvador de fechar o vidro elétrico, entregou-se o homem de terno ao abandono, e viu o menino encher toda a janela do carro, e de sob a camiseta puída sacar o livro, e disparar à queima-roupa:
- Moço, me ensina a ler?

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